Duarte Fernandes partiu a louça toda no Montijo, com duas actuações de elevada nota artística, principalmente frente ao touro de Veiga Teixeira.
Texto: Rui Lavrador / Fotografias: André Nunes
Numa tarde soalheira e com lotação de ¾ preenchidos, a Praça de Touros Amadeu Augusto dos Santos, no Montijo, recebeu este domingo um mano-a-mano entre o rejoneador Diego Ventura e o cavaleiro Duarte Fernandes.
Lidaram-se touros de Veiga Teixeira, Maria Guiomar Cortes Moura e Los Espartales. As pegas ficaram a cabo de uma seleção de forcados.
Nesse sentido, importa assinalar o sucesso artístico da corrida, a excelente entrada de público e o triunfo da empresa Toiros com Arte, ao apostar neste cartel. Diferente foi. E isso, na tauromaquia portuguesa, é uma raridade a ser assinalada.
Diego Ventura abre com entrega
Diego Ventura abriu praça frente a um touro de Maria Guiomar de Cortes Moura, com 535 Kg, e brindou a lide à seleção de forcados, chamando-os à arena.
O touro mostrou-se desde cedo desinteressado, tardio na investida e obrigando o rejoneador luso-espanhol a um toureio de “cercanias”. E foi nesse registo que conseguiu conquistar o público. Primeiro, numa brega ladeada a duas pistas, posteriormente com um toureio mais em redondo, sempre de curtas distâncias.
Destaque para o primeiro ferro curto, numa sorte bem desenhada, rematada com pirueta cingida. A atuação foi rematada com dois ferros de palmo e uma rosa, esta a pedido do público. Ouviu música desde a cravagem do primeiro curto.
Para a cara deste touro foi Bernardo Belerique (Tertúlia Tauromáquica Terceirense), que concretizou com sucesso à segunda tentativa, após uma primeira em que o grupo demorou a fechar.
Duarte Fernandes enfrenta o primeiro desafio
Duarte Fernandes enfrentou, primeiramente, um touro de Los Espartales, com 540 Kg. Um touro sem grande transmissão, desinteressado e que quis sempre fechar-se em tábuas.
O jovem português teve de suar e impor-se perante o complicado oponente, e a verdade é que o conseguiu, destacando-se com o cavalo H. Quiebro, na fase de curtos. Uma atuação de esforço e luta, sem contudo atingir o brilho desejado.
Rafael Costa (Amadores do Ribatejo) concretizou a pega ao primeiro intento, com uma boa execução.
Ventura brilha com touro exigente
Da ganadaria Veiga Teixeira, com 505 Kg, foi o terceiro touro da corrida, lidado por Diego Ventura. Uma atuação em que o rejoneador mostrou uma noção de ritmo, de entendimento do público e do que é ser uma figura ímpar da tauromaquia.
Mais do que falar tecnicamente da atuação, deve ser destacado como o toureiro percebeu o que precisava de fazer em cada momento, mesmo perante um touro complicado, incerto na investida e que esperava na reunião para o tentar derrubar. Ventura puxou dos galões. E meteu todos de acordo, culminando a actuação com um ferro e um par de bandarilhas, com o cavalo sem cabeçada, perante a apoteose do conclave.
Jean Parreira (Turlock) concretizou a pega ao primeiro intento.
Duarte Fernandes leva o público ao rubro
Após um breve intervalo para alisamento da arena, saiu um touro de Veiga Teixeira para ser lidado por Duarte Fernandes, com 540 Kg.
A rês distinguiu-se dos restantes logo pela pelagem, criando sururu nas bancadas. Duarte Fernandes recebeu com muito mérito o oponente e o segundo ferro comprido foi de muito boa nota.
Seguidamente, já montando o El Dorado, cravou um primeiro curto de grande nota, em terrenos cambiados, após levar o touro na garupa em ladeio a duas pistas, antes de executar a sorte. Inspirado e com o público galvanizado, cravou mais um curto de elevada qualidade, com uma reunião cingida e dominando todos os momentos.
Assim, arrebatador, o quarto curto voltou a ser com reunião cingida e rematado com duas piruetas na cara do oponente. E no quinto curto voltou a brilhar, rematando com três piruetas, tendo na última o cavalo escorregado e sido atingido pelo touro, mas sem danos a assinalar.
A atuação foi rematada com dois ferros de palmo cravados em sorte de violino. Chapeau, Duarte Fernandes. Assombroso.
Duarte Mira (Amadores de Lisboa) concretizou a pega ao primeiro intento, com eficiência.
Ventura colhido mas recupera com valentia
Diego Ventura encerrou a sua passagem pelo Montijo frente a um touro de Los Espartales com 555 Kg. Uma atuação de qualidade, na qual acabou colhido, após o cavalo escorregar.
Contudo, Diego recuperou e terminou a lide a bom nível e com o público rendido à raça demonstrada. Não deu volta à arena, mas ainda conseguiu agradecer ao público, pese a enorme limitação física.
Ricardo Parracho (Amadores do Montijo) concretizou a pega ao primeiro intento.
Final de ouro com Duarte Fernandes
No último touro da corrida, da ganadaria de Maria Guiomar Cortes Moura, Duarte Fernandes recebeu-o com um ferro em sorte gaiola de enorme valia.
Seguiu a lide em patamar muito positivo e, ao quinto ferro, preparou o clímax com um cite a um metro do touro, aguentando até mais não dar, fazendo a batida e aguentando a investida. No sexto repetiu a dose, mas ainda melhor e a reunião foi cingidíssima. Público e triunfo no bolso. Final de ouro de Duarte Fernandes no Montijo. Assim, com classe, Duarte triunfou de forma claríssima, no Montijo.
Nuno Veríssimo (Aposento do Barrete Verde de Alcochete) concretizou a pega ao primeiro intento.
Assim, a corrida marcou claramente a temporada e ninguém saiu dali triste com o tempo e dinheiro dispensado.

