Ator Jeremy Irons visita Roca Rey na sua herdade e atreve-se no capote após presença na corrida da Real Maestranza, em Sevilha, quando Rey cortou duas orelhas.
O toureiro peruano partilhou depois uma jornada de tentadero com o actor britânico, que ficou fascinado após assistir à sua actuação na Real Maestranza em Sevilha.
Documentário “Tardes de Soledad” a ser espalhado pelo mundo
A história começou com um filme. “Tardes de Soledad”, documentário realizado por Albert Serra, captou a atenção do actor britânico Jeremy Irons, vencedor de um Óscar, e do produtor David Puttnam, conhecido por obras-primas como “A Missão” e “Momentos de Glória”.
Fascinados pela autenticidade e pelo mistério do universo taurino retratado no filme, ambos decidiram ver em ação o protagonista dessa obra: Andrés Roca Rey, figura central do toureio contemporâneo.
Uma prestação em praça que deixou Irons rendido
Não foi uma escolha ao acaso. Roca Rey é reconhecido por uma entrega inabalável na arena, uma arte que não admite fingimentos. Irons assistiu com Puttnam à corrida na Feira de Sevilha em abril, onde o peruano protagonizou uma tarde memorável, cortou duas orelhas e esteve perto de abrir a Porta do Príncipe. A experiência foi avassaladora.
Irons, que já interpretou desde Humbert Humbert até ao papa Alexandre VI, sabe reconhecer a intensidade quando a vê. E na décima segunda corrida do abono em Sevilha, encontrou-a.
Conversa intimista em hotel preenchida com curiosidade
Após a faena, não se contentaram em aplaudir desde as bancadas: quiseram conhecer o homem por trás do traje de luces.
Nessa mesma noite, subiram ao seu quarto de hotel. O toureiro, ainda com a intensidade da arena na pele, recebeu-os. Foi uma conversa íntima, densa, carregada de perguntas e silêncios. Irons, que já encarnou personagens complexos e profundos, encontrou em Roca Rey um artista que se entrega sem rede, sem duplos, cuja vida e arte se fundem numa só linha. Foi mais uma demonstração da capacidade que a figura de Roca Rey tem para atravessar fronteiras culturais, emocionais e simbólicas.
Uma ligação entre mundos criativos
A afinidade não ficou por essa primeira conversa. No dia seguinte, Andrés Roca Rey convidou-os a visitarem a sua herdade La Consentida, em Gerena. Subiram para a carrinha do matador — o mesmo veículo que aparece no documentário — e recriaram, entre risos, cenas vistas no ecrã, comentando os rituais, os gestos, os códigos não escritos da quadrilha.
Irons pisa arena e atreve-se no capote
Já no campo, Irons pisou a arena, assistiu a um tentadero e, num gesto simbólico, atreveu-se a pegar no capote. Não foi um acto teatral, mas uma forma de sentir o peso do medo, da tradição, da responsabilidade artística que implica enfrentar um toiro. Foi um momento silencioso, partilhado, que transcendeu o espectáculo.
Durante a jornada, falaram sobre arte, medo, autenticidade. Irons, crítico de uma cultura actual que — segundo ele — se banalizou em busca de gratificação instantânea, encontrou em Roca Rey uma excepção: um artista que arrisca tudo em cada acto.
“Foi um prazer estar contigo em casa”, diz Roca Rey
O toureiro, por seu lado, mostrou-se generoso, partilhando detalhes da sua preparação, da sua filosofia e do seu vínculo com o animal.
Na sua conta de Instagram, Roca Rey resumiu a experiência com uma frase simples: “Foi um prazer estar contigo em casa, querido Jeremy; que dia tão bonito!”.
Jeremy Irons e David Puttnam chegaram a Sevilha à procura de compreender uma tradição. O que encontraram foi um artista que os fez olhar com outros olhos.

