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Terça-feira, Fevereiro 10, 2026

Luz e Sombra na Monumental: Crónica de uma Praça a Meio Gás

Luz e Sombra na Monumental: Crónica de uma Praça a Meio Gás, da corrida de touros realizada ontem.

Na tarde de 31 de maio de 2025, a Monumental do Sorraia, em Coruche, foi palco de uma corrida de toiros marcada por um contraste profundo entre a tradição vibrante da tauromaquia e a melancolia de bancadas vazias. Tal como uma fotografia antiga, a jornada viveu-se em tons de luz e sombra — em verdadeiro preto e branco — onde o brilho das atuações se confrontou com o silêncio das cadeiras por ocupar.

O cartel contou com as atuações dos cavaleiros Miguel Moura, Joaquim Brito Paes e António Telles Filho, que enfrentaram um curro da ganadaria Passanha que dignificou a tarde. Dentro das características do encaste, os toiros revelaram bravura e nobreza, permitiram boas lides e deixaram-se tourear com qualidade — uma nota positiva que importa sublinhar num espetáculo onde a matéria-prima esteve à altura do desafio.

Apesar do empenho e da entrega dos artistas, com destaque para as atuações maduras de Miguel Moura, a equitação e classe de Joaquim Brito Paes e a Raça, autenticidade e casticidade de António Ribeiro telles filho, mas, a falta de público foi um vazio pesado, mais eloquente do que qualquer silêncio. A praça não se encheu, e essa ausência pesou — não só nas bancadas, mas na alma dos que estiveram ali por paixão, por dever ou por promessa.

Os Forcados Amadores de Coruche e o grupo vencedor do concurso de pegas matinal, os Amadores de Évora, dividiram as seis pegas da tarde. Por Évora, Henrique Burguete consumou à segunda, Afonso Santo à primeira, e Rui Bento também à terceira, com coesão, técnica e determinação. Do lado de Coruche, destaque para António Tomás e Tiago Pata, que concretizaram à primeira tentativa, e Tiago Gonçalves, que fechou a tarde com valentia à segunda.

« of 2 »

A Praça de Toiros de Coruche, com os seus quase 7.000 lugares e a sua história rica, merece mais. É uma casa de afición, palco de tardes memoráveis, que não pode resignar-se ao quase vazio. A dignidade do espetáculo, o respeito dos intervenientes e a qualidade do curro exigem o mesmo empenho por parte do público.

Que esta crónica em preto e branco não seja só o registo de uma tarde tímida, mas o lembrete de que a festa brava vive da luz — e essa luz só se acende quando há olhos para a ver.

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