João Ribeiro Telles e Forcados de Vila Franca brilham na corrida do Colete Encarnado

João Ribeiro Telles e Forcados de Vila Franca brilham na corrida do Colete Encarnado, realizada na tarde de ontem.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: André Nunes

A Praça de Touros Palha Blanco recebeu, ontem, a tradicional corrida de touros integrada no Colete Encarnado.

Com 3/4 da lotação preenchidos, actuaram os cavaleiros João Ribeiro Telles e Francisco Palha, frente a touros de Vale Sorraia, com as pegas a cargo dos forcados amadores de Vila Franca de Xira. O matador francês Sebastián Castella enfrentou touros de Varela Crujo.

Indo já aos destaques positivos da corrida, foram eles João Ribeiro Telles, os forcados de Vila Franca e os touros de Vale Sorraia.

Pela negativa, estiveram os touros Varela Crujo (o primeiro escasso de apresentação e com falta de forças, o segundo devido ao comportamento embora com melhor apresentação. Porém, os pesos destes foram de 450 e 455 Kg segundo o anunciado em praça e na folha de lide. A ganadaria vale muito mais do que os exemplares que saíram em Vila Franca. Há tardes assim.

João Ribeiro Telles teve a lide da tarde, ao quarto touro da corrida. O cavaleiro mostrou argumentos sólidos e entendimento pleno dos touros que teve por diante.

Na primeira lide, em plano muito positivo, entendendo as distâncias e os terrenos do oponente, com 3 ferros curtos muito bem conseguidos.
Porém, foi ao quarto touro da corrida que o cavaleiro se mostrou francamente bem, com mais explosão, cravagens cingidas, uma lide apostada em sortes com ligeiras batidas ao pitón contrário e a colocar a Palha Blanco completamente rendida. Um compêndio de bem tourear – e melhor cravar – gerindo de forma exímia os momentos da lide e aproveitando as características do touro.

Francisco Palha é um cavaleiro estimulante, ousado na sua concepção de lide, pela forma como tenta “pisar a linha de fogo”. O lado menos positivo desta concepção artística é quando os touros não lhe permitem este tipo de toureio e as coisas acabam por resultar “mornas”. Palha tem argumentos para ser diferente, arrebatador. Caberá somente entender quando levar a sua concepção avante ou fazer algumas cedências quando tal não é possível.
Frente ao primeiro touro, do seu lote, cravou o melhor ferro da corrida, o último da série de curtos, com reunião muito ajustada.

Na segunda lide, as coisas não lhe correram tão bem. Foi em plano razoável, alternando momentos bons com outros menos bons. Porém, longe do melhor que consegue e sabe fazer. Não lhe foi autorizada volta de agradecimento.

Sebastián Castella teve dois adversários nesta corrida: o escasso poder de ambos os touros e ainda o vento que se fez sentir.

Na primeira faena, quase não existiu Castella. E touro também não, diga-se. Na segunda, esforçou-se, deu o que tinha, alguns passes de valor, mas nada de triunfal. Ainda assim, o suficiente para satisfazer o público que o aplaudiu na volta de agradecimento.

Os touros de Vale Sorraia surgiram bem apresentados, com distintos comportamentos, mas a imporem verdade a cavaleiros e forcados e a não permitirem grandes erros. Pesaram 535, 585, 560 e 525 Kg, respectivamente, por ordem de lide. Os de Varela Crujo pecaram em apresentação, melhor o segundo, e em comportamento, aqui também melhor o segundo. Ainda assim, dois touros nada deslumbrantes e que não ficarão na memória.

Tarde fabulosa dos forcados amadores de Vila Franca de Xira. Quatro pegas ao primeiro intento, todas elas de enorme qualidade e com os forcados da cara e o grupo a responderem com galhardia, coragem e extraordinária competência. Foram à cara Lucas Gonçalves, Guilherme Dotti, Miguel Faria e Rafael Plácido.

A corrida foi dirigida por Rúben Fragoso, assessorado por Jorge Moreira da Silva e com José Henriques no cornetim. Lamenta-se que a direção de corrida em nenhum momento tenha autorizado volta ao ganadeiro de Vale Sorraia, principalmente no quarto touro. À parte disso, corrida muito bem dirigida.

Nota de direção: Os “pequenos poderes” de alguns empresários não duram para sempre. Podem até ser bons para o ego. Mas a Palha Blanco continua sem esgotar esta temporada. E isto não é opinião. É facto. Mesmo que continuem a recusar acreditações a jornalistas e a colocar fotógrafos na fila 11, não é essa atitude que vai esgotar a lotação da praça. E talvez esse devesse ser o principal objectivo da empresa. Oxalá o consigam em Outubro.

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